Nota: os nossos maus instintos resultam da imperfeição do nosso próprio Espírito e não da nossa organização física; a não ser assim, o homem se acharia isento de toda espécie de responsabilidade. De nós depende a nossa melhoria, pois todo aquele que se acha no gozo de suas faculdades tem, com relação a todas as coisas, a liberdade de fazer ou de não fazer. Para praticar o bem, de nada mais precisa senão do querer.
Prece
"Deste-me, ó meu Deus, a inteligência necessária a distinguir o que é bem
do que é mal. Ora, do momento em que reconheço que uma coisa é má,
torno-me culpado, se não me esforçar por lhe resistir.
Preserva-me do orgulho que me poderia impedir de perceber os meus defeitos
e dos maus Espíritos que me possam incitar a perseverar neles.
Entre as minhas imperfeições, reconheço que sou particularmente propenso a...;
e, se não resisto a esse pendor, é porque contraí o hábito de a ele ceder.
Não me criaste culpado, pois que és justo, mas com igual aptidão para o bem
e para o mal; se tomei o mau caminho, foi por efeito do meu livre-arbítrio. Todavia,
pela mesma razão que tive a liberdade de fazer o mal tenho a de fazer o bem
e, conseguintemente, a de mudar de caminho.
Meus atuais defeitos são restos das imperfeições que conservei das minhas
precedentes existências; são o meu pecado original, de que me posso libertar
pela ação da minha vontade e com a ajuda dos Espíritos bons.
Bons Espíritos que me protegeis, e sobretudo tu, meu anjo da guarda,
dai-me forças para resistir às más sugestões e para sair vitorioso da luta.
Os defeitos são barreiras que nos separam de Deus e cada um que eu suprima
será um passo dado na senda do progresso que dele me há de aproximar.
O Senhor, em sua infinita misericórdia, houve por bem conceder-me a
existência atual, para que servisse ao meu adiantamento. Bons Espíritos, ajudai-me
a aproveitá-la, para que me não fique perdida e para que, quando ao Senhor
aprouver ma retirar, eu dela saia melhor do que entrei." |