Os espíritos, não sendo senão as almas dos homens que aqui viveram encarnados, em nos comunicando com eles, não saímos da humanidade, circunstância capital a se considerar.
A objeção implícita no título acima, no entanto, seria séria apenas se devêssemos ter, nos ensinamentos dos espíritos, verdades absolutas a serem aceitas de olhos fechados. Tais ensinamentos perdem o seu valor uma vez que o homem decida se desfazer do seu dever de julgá-los e passá-los pelo crivo da razão e do bom-senso. As manifestações e suas inumeráveis variedades são fatos; o homem os estuda. Neles procura a lei, e é ajudado, neste trabalho, pelos espíritos de todas as ordens. Submetendo as comunicações ao controle da lógica e do bom-senso, o homem aumenta o seu entendimento e ganha em conhecimento.
Todos os espíritos, a qualquer grau que tenham chegado, nos ensinam, pois, alguma coisa; mas, como são mais ou menos esclarecidos, cabe a nós discernir o que há neles de bom e de mau, e de tirar o proveito que os seus ensinamentos comportam. Ora, todos, quaisquer que sejam, podem nos ensinar ou revelar coisas que ignoramos, e que, sem eles, não saberíamos. Se fôssemos a um país novo para nós, rejeitaríamos as informações de um humilde aldeão que encontrássemos? Recusaríamos interrogá-lo sobre o estado do caminho, uma vez que se trata apenas de um camponês? Não esperaríamos dele, é claro, esclarecimentos de uma alta importância, mais tal como é em sua esfera, poderia, sobre certos pontos, nos informar melhor do que um sábio que não conhecesse o país. Ocorre o mesmo com as relações com os espíritos, onde o menor pode servir para nos ensinar alguma coisa.
Deus, em sua sabedoria, quis que o ensinamento fosse dado pelos espíritos, simultaneamente por toda a parte, seja para propagá-lo mais rapidamente, seja para que o homem encontrasse, na coincidência do ensinamento, uma prova da verdade, tendo, cada um, os meios de se convencer por si mesmo.
Os espíritos se abstêm de nos dar o que podemos adquirir pelo trabalho. Além disso, há certas coisas que não lhes é permitido revelar, uma vez que o nosso grau de adiantamento não as comportaria. Estando eles livres do envoltório carnal, seus círculos de percepções se alargam; vêem o que não viam na Terra, livres dos entraves da matéria; liberados dos cuidados da vida corporal, julgam as coisas de um ponto de vista mais elevado; sua perspicácia abarca um horizonte mais vasto; compreendem seus erros, retificam suas idéias e se desembaraçam dos preconceitos humanos.
É nisso que consiste a superioridade dos espíritos sobre a humanidade corporal; e, de acordo com o seu grau de adiantamento, mais judiciosos e mais desinteressados serão seus conselhos com relação aos dos encarnados. Suas manifestações, de qualquer modo, serviram para nos dar a conhecer o mundo invisível que nos rodeia, e que não supúnhamos; e só esse conhecimento seria de uma importância capital, supondo-se que os espíritos fossem incapazes de algo nos ensinarem a mais.
Excertos de A Gênese.
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