"E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria."
I Coríntios, 13: 2
 
 
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Oração
   


“A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele” – trecho de O Que É o Espiritismo.

A prece é recomendada por todos os bons espíritos; renunciar a ela é desconhecer a bondade de Deus, é renunciar à sua assistência e ao bem que pode alcançar aquele que ore, e bem assim àquele por quem se ore. É uma evocação. Por meio dela colocamos o pensamento em relação com o ente a quem a dirigimos. Pode ter por escopo um pedido, um agradecimento, uma glorificação. Quem a faz pode pedir para si ou para outrem, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos espíritos encarregados da execução da vontade divina; as que se dirigem aos bons espíritos são levadas a Deus. Quando se ora a outros seres, além de Deus, é simplesmente como a intermediários ou intercessores, pois nada se pode obter sem a Sua vontade.

Pela prece o homem atrai o concurso dos bons espíritos, que vêm sustentá-lo nas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos. Assim, adquire ele a força necessária para vencer as dificuldades e entrar no bom caminho, se deste se houver afastado. Também assim, desviará de si os males que por sua culpa atraísse. Por exemplo: um homem vê a sua saúde arruinada pelos excessos cometidos e arrasta, até ao fim de seus dias, uma vida de sofrimentos. Terá razão de se queixar quando não alcançar a cura? Não, porque pela prece poderia ter obtido força para resistir às más tentações. Separando-se os males da vida em duas partes, uma formada pelas tribulações que o homem não pode evitar e a outra pelas que lhe causam sua incúria e excessos, ver-se-á que esta excede de muito àquela. Torna-se, pois, evidente que o homem é o autor da maior parte das suas aflições, e que as evitaria se sempre agisse com prudência e acerto.

Acedendo ao pedido que lhe é dirigido pela oração, Deus tem muitas vezes em vista recompensar o intuito, a dedicação e a fé daquele que ora. Eis por que a prece do homem de bem tem mais mérito aos olhos de Deus, é sempre mais eficaz. O homem viciado e mau não consegue orar com fervor e com a confiança que somente a verdadeira piedade inspira. Do coração do egoísta, que apenas pelos lábios ora, somente palavras saem, jamais os impulsos caridosos que dão à prece grande poder. É tão real isto, que, instintivamente, os egoístas recorrem de preferência às preces daqueles que, por sua conduta mais agradável a Deus, são mais ouvidos. Mas, aquele que não se julgue em condições de exercer salutar influência, nem por isso deve abster-se de orar em favor de outrem, acreditando-se indigno de ser ouvido. A consciência de sua inferioridade é uma prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em conta a intenção caridosa. O fervor e a confiança em Deus são o primeiro passo para o bem, passo que os bons espíritos se sentem felizes em incentivar. Repelida só o é a prece do orgulhoso que, confiante na sua força e no seu merecimento, crê poder substituir-se à vontade do Eterno.

O valor da prece está no pensamento, sem dependência de local, de palavras e de ocasião em que seja formulada. Portanto, pode-se orar em qualquer lugar e a qualquer hora, só ou em comum. A influência do local ou da ocasião depende meramente de as circunstâncias favorecerem ou não o recolhimento e a concentração da pessoa na sua oração. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos se associam de coração ao mesmo pensamento, objetivando o mesmo fim, porque é como se muitos cantassem, em coro, ao mesmo tempo. Mas, que importa seja grande o número dos que orem, se cada qual orar isoladamente e por conta própria? Cem pessoas reunidas podem orar com o sentimento de egoístas; enquanto que duas ou três, unidas pelo pensamento, podem orar irmanadas em Deus, obtendo a sua prece mais resultado que a daquelas cem.

“Orai, cada um, segundo suas convicções e o modo que creais o mais conveniente, porque a forma não é nada, o pensamento é tudo; a sinceridade e pureza de intenção são essenciais; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras, que se assemelham ao ruído de um moinho e onde o coração não está em nada” – trecho de O Que É o Espiritismo.
     
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