"Há verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe reside a ignorância."
Hipócrates
 
 
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O Espiritismo depõe contra si mesmo por sua origem?
   

 

Alguns há que questionam o Espiritismo por sua própria origem. Não vêem seriedade em algo que tenha seu início marcado por fenômenos como o das mesas girantes - ou dança das mesas -, relegando nenhuma importância a uma doutrina como essa. Aqui nos reteremos a refutar esse argumento. Para saber mais sobre a origem do Espiritismo, leia o texto “Como surgiu o Espiritismo?”.

Tentemos lembrar, de início, como surgiu o germe do raciocínio humano que o levou ao conhecimento da teoria física dos eletrólitos, possibilitando a criação da primeira pilha - invenção consagrada pelo uso em todo o mundo. Para lançarmos mão de expressão semelhante, poderíamos dizer que tudo se originou em uma dança das rãs. Toda a questão é que tal “dança” fora observada, não por um instinto vulgar, mas por um instinto científico em busca de conhecimento. Tal fenômeno fora observado por Luigi Galvani, biologista italiano do século XVIII. Seus estudos a cerca disso foram o início do processo que levou Alessandro Volta, que reproduziu os resultados dos experimentos de Galvani, à criação da primeira pilha no ano de 1800.
Não são, pois, a pilha e a bateria importantes para o homem devido aos primórdios de seu desenvolvimento teórico? Por isso decidimos dizer que pilhas e baterias são inúteis, irreais ou produtos de fantasia? Não, pois de algo que, para uns poderia ter sido tratado apenas como fenômeno espetacular, no sentido da vulgaridade, para outros serviram como objeto de estudo e pesquisa, expandindo os horizontes da ciência humana.

Esqueceremos ainda que a astronomia teve suas origens na astrologia? “Que a química é filha da alquimia, da qual nenhum homem sensato ousaria se ocupar hoje? (...) Malgrado as suas fórmulas ridículas, a alquimia encaminhou para a descoberta dos corpos simples e da lei de afinidades; a astrologia se apoiava sobre a posição e o movimento dos astros, que havia estudado; mas, na ignorância das verdadeiras leis que regem o mecanismo do Universo, os astros eram, para o vulgo, seres misteriosos aos quais a superstição emprestou uma influência moral e um sentido revelador. Quando Galileu, Newton e Kepler fizeram conhecer essas leis, que o telescópio rasgou o véu e mergulhou nas profundezas do espaço um olhar que certas pessoas acharam indiscreto, os planetas nos apareceram como simples mundos semelhantes ao nosso, e todo o alicerce do maravilhoso desabou” – trecho de A Gênese.

A história repete-se na origem do Espiritismo. A dança das mesas era uma diversão frívola para muitos, sem nenhuma motivação enobrecedora. Ignorantes das leis que regem o mundo espiritual, e mesmo de que aquilo se tratava de manifestações de espíritos, tomaram lugar apenas as práticas ridículas e pueris.
Houve, no entanto, aqueles que, decidindo estudar os acontecimentos, mesmo levados pelo ceticismo inicial de que os mesmos poderiam ser meros arranjos de prestidigitadores, chegaram à verdade escondida por trás do fenômeno. Conclusões foram sendo obtidas através das observações feitas; idéias foram sendo desenvolvidas e, no decorrer disso tudo, surgia uma doutrina: a doutrina dos espíritos. Àqueles que se ocupavam apenas com as frivolidades, o tempo se encarregou de torná-las entediantes, desaparecendo as motivações para se continuar com tais práticas. Já aos que se propuseram ao estudo, à busca do conhecimento, como Allan Kardec, nunca o tempo poderia trazer o tédio. Haveria sempre o que aprender e algo novo a ser estudado e refletido.

As mesas girantes foram a curiosidade pueril da criança; o questionamento e estudo do fenômeno o crescimento natural daqueles que chegam à fase adulta da vida.

     
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