"Há verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe reside a ignorância."
Hipócrates
 
 
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Pecado original
   

O significado teológico dado ao pecado original, de acordo com o Espiritismo, é incorreto, já se mostrando incoerente com a crença em um Ser Supremo, Criador de todas as coisas e que possui em Si a justiça infinita. Afinal, onde encontrar justiça quando a responsabilidade ou culpa de uma falta nos é atribuída sobre algo do qual não tomamos parte, algo que ocorreu quando nem sequer existíamos?

“Sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original não é apenas irreconciliável com a justiça de Deus, que torna todos os homens responsáveis pela falta de um só deles: seria um contra-senso, e tanto menos justificável que, segundo essa doutrina, a alma não existiria na época à qual se pretende fazer remontar a sua responsabilidade. Com a preexistência, o homem traz, em renascendo, o germe de suas imperfeições, dos defeitos de que não se corrigiu, e que se traduzem por seus instintos naturais, as suas propensões a tal ou tal vício. Está aí o verdadeiro pecado original, do qual sofre, naturalmente, as conseqüências, mas com a diferença capital de que suporta o castigo das próprias faltas, e não as de outrem; e esta outra diferença, ao mesmo tempo consoladora, encorajante e soberanamente eqüitativa, de que cada existência lhe oferece os meios de se remir pela reparação, e de progredir, seja em se despojando de algumas imperfeições, seja adquirindo novos conhecimentos, e isso até que, estando suficientemente purificado, não tenha mais necessidade da vida corporal, e possa viver, exclusivamente, a vida espiritual, eterna e feliz.

Pela mesma razão, aquele que progrediu moralmente traz, em renascendo, qualidades inatas, do mesmo modo que aquele que progrediu intelectualmente traz idéias inatas; está identificado com o bem; pratica-o sem esforço, sem cálculo e, por assim dizer, sem nele pensar. Quem está obrigado a combater as suas más tendências está ainda na luta: o primeiro já venceu, o segundo está em vias de vencer. Há, pois, virtude original, como há saber original, e pecado, ou melhor, vício original ” – trecho de A Gênese.

É ilógico, dentro de qualquer conceito de justiça, colocarmos a culpa nos filhos por um ato cometido por seus pais. Assim como atribuir aos pais a culpa por um ato cometido espontaneamente por seus filhos. Se o bom-senso já nos diz isso, mesmo a Bíblia corrobora essa posição em Jeremias, 31: 29-30 e Ezequiel, 18: 1-20.

     
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