"Há verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe reside a ignorância."
Hipócrates
 
 
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Preconceitos contra a comunicação com os espíritos
   



Vários são os preconceitos contra a idéia da comunicação com os espíritos. De qualquer forma, é nítido o fato de que tais preconceitos, de certa maneira, tornaram-se mais brandos desde a época da codificação da doutrina por Allan Kardec. Hoje, até mesmo membros da Igreja Católica, no Vaticano, admitem a existência dessa natureza de comunicação (vide reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão).

Contudo, ainda existem idéias contrárias que procuram determinar a impossibilidade do contato com os espíritos. Nos ateremos, nesse texto, à explicação das principais:

1) são contatos feitos com demônios;
2) são meros devaneios mentais dos médiuns, que acabam por se enganar achando que aquilo vem de um espírito; ou mesmo o seu pensamento é influenciado por aqueles que o cercam naquele momento;
3) trata-se tão somente de charlatanismo;
4) trata-se de telepatia ou adivinhação daqueles que se dizem médiuns.

Ainda há um outro pensamento preconceituoso:

5) a evocação dos mortos é um desrespeito para com eles, pois não é preciso lhe agitar suas cinzas.

 

Primeiro caso:

Quem conhece a doutrina espírita sabe que, por ela, há algumas coisas básicas que todos nós devemos ter e procurar sempre cultivar: a caridade e o amor ao próximo, não importando quem seja; a fé em Deus e a oração sincera, pois ela nos fortalece. Quem ama o próximo e tem fé em Deus não tem a menor possibilidade de, após a morte, ir para o inferno, certo? Como os demônios poderiam então estar passando tal mensagem à humanidade? Como os demônios estariam nos dizendo o quão fica em penoso sofrimento o homem mau em sua vida encarnado, após a morte, e o quão ditoso fica aquele que foi bom? Não querem eles que nenhuma alma vá mais parar sob os seus domínios? O próprio Jesus, quando os fariseus diziam que ele expulsava os demônios por ter alguma relação ou pacto com os mesmos, explicou que satanás não poderia atuar contra si próprio, pois assim ele não conseguiria de forma alguma se sustentar (Lucas 11:15-18).

Aliás, essa teoria de rejeição ao Espiritismo tem causa em uma outra irracionalidade: se as comunicações vêm dos demônios é porque Deus o permite, já que nada acontece no universo sem a Sua permissão. Então, se os demônios têm essa permissão, os bons espíritos não a teriam também? Ou Deus permite apenas aos maus passarem suas mensagens a Sua própria criação? Logo, se os demônios têm permissão, então a tem do mesmo modo os bons espíritos.

 

Segundo caso:

Essa afirmação ao menos é mais branda em seu preconceito. Mas tendo um contato verdadeiro com a doutrina espírita veremos que tais ensinamentos não poderiam vir de simples devaneios mentais. Nas primeiras comunicações usava-se um método sobremaneira impossível de se forjar. As mensagens eram recebidas utilizando-se uma cesta e um lápis. Adaptava-se o lápis à cesta, que era segurada pelas mãos do médium (por vezes, mais de um médium o fazia) e então movida; escrevia-se assim as palavras num papel. Não seria lícito cogitarmos aqui que duas ou mais pessoas poderiam ter combinado o que escreveriam previamente, por mais habilidosos prestidigitadores que fossem, tal a legibilidade e rapidez com que a escrita era realizada. Soa absurdo, para não dizer impossível! Tal método fora posteriormente substituído, por razões óbvias, a favor de outros mais simples e fáceis de se executar (leia como surgiu o Espiritismo?). Além disso, meros devaneios mentais não poderiam fazer com que um médium dissertasse páginas e mais páginas sobre assuntos fora de seu alcance intelectual, para não dizer quando o fizesse ainda em outras línguas, que não conhecia, tudo resultando em grandes questões filosóficas.
Não se poderia dizer também que o médium apenas captaria de algum modo o pensamento das pessoas circundantes e então os externaria, já que muitas vezes esse “pensamento” fica em oposição ao que tais pessoas tinham em mente naquele momento.

 

Terceiro caso:

Para saber mais sobre a possibilidade de se tratar de mero charlatanismo, leia o texto "Mediunidade profissional e charlatanismo", que esclarece melhor os mecanismos pelos quais ocorre a mediunidade.

 

Quarto caso:

Vê-se facilmente, em muitos casos, que não poderia tratar-se de mera telepatia. Muitas vezes as comunicações expressam palavras que sequer passavam pela cabeça de quaisquer pessoas a cercar o médium naquele momento. Por vezes, mesmo as pessoas as quais a mensagem era dirigida, não conseguiam entender o sentido de certas palavras, lembrando-se de algum fato passado que traria esse sentido à tona apenas dias depois.

Não sendo telepatia, seria então um poder grande de adivinhação do médium?
Aqui é querer se transformar em maravilhoso ou milagroso algo simplesmente comum. Pois não seria mais descomunal uma pessoa ter um poder de adivinhação do que simplesmente ela ser um instrumento, um meio através do qual os espíritos poderiam passar suas mensagens? Esses sim, estando fora do invólucro carnal, podem ter uma visão mais ampla dos fatos, sem estar na dependência de percepções carnais dos sentidos.

 

Quinto caso:

“Quando a evocação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, uma outra resposta peremptória a essa objeção, e é que os Espíritos se apresentam espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam chamados. Eles também dão testemunho da satisfação que experimentam por comunicar-se com os homens, e queixam-se às vezes do esquecimento em que os deixam. Se os Espíritos se perturbassem ou se agastassem com os nossos chamados, certo o diriam e não retornariam; porém, nessas evocações, livres como são, se se manifestam, é porque lhes convém.” (trecho de O Céu e o Inferno)

Leia ainda: existe a proibição do contato com os espíritos na Bíblia?

     
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