"Há verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; em crer que se sabe reside a ignorância."
Hipócrates
 
 
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Suicídio
   

Lendo alguns trechos de O Livro dos Espíritos temos, de forma clara, a posição do Espiritismo quanto ao suicídio:

   
"944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?
‘Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.'
a) - Não é sempre voluntário o suicídio?
‘O louco que se mata não sabe o que faz.'

946. E do suicídio cujo fim é fugir, aquele que o comete, às misérias e às decepções deste mundo?
‘Pobres Espíritos, que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras.'

948. É tão reprovável, como o que tem por causa o desespero, o suicídio daquele que procura escapar à vergonha de uma ação má?
‘O suicídio não apaga a falta. Ao contrário, em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as conseqüências. Deus, que julga, pode, conforme a causa, abrandar os rigores de Sua justiça.'

949. Será desculpável o suicídio, quando tenha por fim obstar a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobre a família?
‘O que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, Deus lhe leva isso em conta, pois que é uma expiação que ele impõe a si mesmo. A intenção lhe atenua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Demais, eliminai da vossa sociedade os abusos e os preconceitos e deixará de haver desses suicídios.'

953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
‘É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?'
a) - Concebe-se que, nas circunstâncias ordinárias, o suicídio seja condenável; mas, estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes.
‘É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.'

O suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá.”
 
 


“O suicídio é o maior dos crimes porque é o desprezo do divino remédio nas dores passageiras da vida” - Camilo Castelo Branco.
A nenhum homem cabe o direito de tirar a vida de um ser humano, ainda que este seja ele mesmo. A vida é um direito divino concedido por Deus aos homens, uma oportunidade de crescimento e elevação moral e espiritual, tendo o homem assim o dever de aproveitar da melhor forma possível cada oportunidade que lhe é concedida.
No entanto, devemos meditar ainda sobre o que é um suicídio. Ele não consiste apenas no ato desesperado de uma pessoa que se joga do alto de um edifício, ingere quantidade fatal de veneno ou se utilize de qualquer outro método semelhante. Há também o suicídio consciente cometido ao longo de um tempo. Tempo em que a pessoa se afoga em paixões e vícios, tendo total consciência do mal que estes fazem a ela, abreviando a sua vida. Vejamos mais um trecho de O Livro dos Espíritos:

 
   
“952. Comete suicídio o homem que perece vítima de paixões que ele sabia lhe haviam de apressar o fim, porém a que já não podia resistir, por havê-las o hábito mudado em verdadeiras necessidades físicas?
‘É um suicídio moral. Não percebeis que, nesse caso, o homem é duplamente culpado? Há nele então falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.'
a) - Será mais, ou menos, culpado do que o que tira a si mesmo a vida por desespero?
‘É mais culpado, porque tem tempo de refletir sobre o seu suicídio. Naquele que o faz instantaneamente, há, muitas vezes, uma espécie de desvairamento, que alguma coisa tem da loucura. O outro será muito mais punido, por isso que as penas são proporcionadas sempre à consciência que o culpado tem das faltas que comete.'”
 
 
Não há de forma alguma justificação para um ato de suicídio, por maior que se pareça o sofrimento ou a penúria que um homem esteja enfrentando. Deus é justo e aquele que suporta tudo com fé e resignação encontrará melhores dias à frente. Afinal, o que é uma vida frente à eternidade do espírito? As tribulações aqui vividas nada mais são que um pequeno período se pensarmos mais pelo espírito do que pela carne. Tentemos vislumbrar o destino iluminado que nos aguarda e tudo o que aqui passamos será visto como nada além de um pequeno empecilho frente à glória vindoura.

"O espírita tem, assim, vários motivos a contrapor à idéia do suicídio: a certeza de uma vida futura, em que, sabe-o ele, será tanto mais ditoso, quanto mais inditoso e resignado haja sido na Terra: a certeza de que, abreviando seus dias, chega, precisamente, a resultado oposto ao que esperava; que se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e mais terrível; que se engana, imaginando que, com o matar-se, vai mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a que no outro mundo ele se reúna aos que foram objeto de suas afeições e aos quais esperava encontrar; donde a conseqüência de que o suicídio, só lhe trazendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses" - trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
 
     
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