Até não tão pouco tempo atrás era firmemente arraigado no senso comum a idéia de que não existiria vida fora do nosso planeta. O homem, em sua exacerbada vaidade, julgava a si mesmo como o único objeto da solicitude divina e afirmava ser a Terra o centro do Universo. Julgava esse ínfimo ponto na imensidão espacial ser o auge da criação, a razão de ser de todo o restante de planetas, estrelas e galáxias até os confins do Universo.
Tal pensamento já teve o seu tempo e não mais perdura depois que o homem desenvolveu um pouco mais seus conhecimentos sobre a astronomia. Hoje, olhando para o céu, a imaginação se lança num percurso de curiosidades acerca de haver ou não vida em outros planetas e, se houver, se trata-se de vida inteligente ou não.
Olhando para as riquezas naturais existentes em nosso pequenino planeta, na grande variedade de espécies animais e vegetais; umas de beleza estonteante e outras de aparência por vezes bizarra aos nossos olhos; umas viventes em paisagens suaves e delicadas de ímpar beleza, outras cumprindo o seu papel em ambientes aparentemente inóspitos, devemos nos perguntar: se nesse pequeno e contido espaço tantas riquezas naturais existem, o que pensar do que pode haver em outros pontos do Universo infinito? Quantos sóis semelhantes ao nosso se movem longinquamente em outras galáxias? Quantos planetas em torno deles orbitam? Quanta coisa o homem simplesmente desconhece desses mundos, cuja imensa maioria ele sequer consegue atestar a existência?
Da mesma forma que aqui encontramos uma imensa variedade de espécies, podemos imaginar uma infinita variedade em outros mundos. Planetas talvez que se assemelhem à Terra em sua constituição e outros que nada tragam à lembrança algo parecido ao que aqui conhecemos.
Justo fora o homem descer do pedestal o seu orgulho e reconhecer o quanto minimizou a figura de Deus ao se achar o único objetivo de Sua criação. Todos os planetas, estrelas e galáxias não foram criados em vão. Não tomaram existência apenas para nos admirarmos com seu brilho no céu noturno. Vários são os mundos onde a vida percorre o seu curso. Alguns mais evoluídos, onde a moral divina reina entre seus habitantes; outros menos evoluídos - até mesmo em relação à Terra -, onde as paixões vis governam condutas; e ainda outros onde mesmo as paixões significariam um passo adiante na senda do progresso de seus habitantes, que ainda se prendem meramente aos instintos de auto-preservação para garantir sua sobrevivência.
A pluralidade dos mundos atende a necessidade da existência de diferentes moradas que possam abrigar os seres criados por Deus em seu caminho de progresso na trilha evolutiva do espírito. Cada um vivendo em um mundo adequado ao seu estado atual e que lhe sirva de local ideal de aprendizado.
“Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes” – O Livro dos Espíritos.
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